11 de janeiro de 2017

Teatro Tivoli 2017



















“Eram mais de mil vindos de toda a parte e reuniram ontem numa famosa e centenária catedral da Cultura em Lisboa. 
Portugueses q buscam azimutes e referencias na sua identidade; mas também na ternura, na fraternidade, na sensibilidade, na valorização do sonho e da poesia. No entanto, gente a quem viver o sonho e a fantasia não escurece nunca nem o desejo de conhecimento e a sua busca, nem o assento basilar dos saberes da vida. 
Sim. Celebrou-se a música e as palavras. Por vezes difíceis e complexas; outras vezes evidentes e bem-dispostas. Mas é assim q se conjuga a arte de sermos humanos e comungar emoções. 
Não foi um espectáculo; foi uma liturgia conjunta e fraterna da arte de viver. 
Uma espécie de reunião de conjurados q defendem, talvez, outro paradigma de humanismo, urbanidade e vontade colectiva. Com referências presentes da utopia q sempre eleva o Homem ao espaço do sonho e da alquimia. Viveu-se sobretudo uma enorme celebração da arte de estar vivo, gostar de estar c os outros, e de - mesmo amando o passado e a Historia - desejar projectar Futuro com força e vontade de melhorar, valorar, fazer diferente.
Obrigado mº grande a todos os cúmplices q estiveram comigo neste percurso - de que, sinceramente, ainda não assentei chão. Obrigado à orquestra - ao Nuno, Ana, Miguel, Susana, Luís, Manuel e David - Somos lindos qd somos assim. 
E obrigado aos 1058 q estiveram no Tivoli. Arrisco dizer, somos já muitos - decerto demasiados, para q nos ignorem! Passem palavra, já agora, para q os deuses da sapiência percebam q existimos.
Desejo que o q ali se viveu ontem trespasse muros e ameias de um certo viver cinzento. O tal q glorifica a mediocridade, o estrangeirismo gratuito e a conveniência. Porque somos muito maiores q isso. Sempre q nos reunirmos, façam um favor; como diria o velho Zeca: - "tragam mais cinco!"
E talvez um dia possamos instituir o tal “estado de felicidade permanente”, como sonhava Moustaki. E o planeta dê as mãos em busca de amor e dignidade. 
Obrigado imenso a todos por um dia inesquecível, indescritível e q me deixou sem… palavras.”

08-Jan-2017
Fonte –  Pedro Barroso  

Para FotoReportagem completa da Infocul, clicar  Aqui 


25 de outubro de 2016

Notícias de mim!





Noticias de mim promovem celebração interior. Calado, de resto, celebra-se melhor. 
Pato. Acho q vou comer pato. Conventual e cerejado; feito a gosto no ultimo restaurante do fim do mundo à esquerda. 
E mais não digo, q hoje faltam-me palavras. Ribatejo interior; terra chão e centro de alguma provisória paz. 
Um abraço sentido a todos os q me têm incentivado e animado - por aqui e na vida real. Ao q parece, o primeiro round desta luta imensa está vencido. 
Se fosse patrício romano convidaria todos para uma orgia de harpas, bacantes e javali com mel. Se perdesse completamente as estribeiras, iria hoje um cozido à portuguesa, daqueles de travessa em pirâmide malfazeja. Se fosse Beniamino Gigli cantaria Funiculi Funícula à porta do Restaurante em jeito de gorjeta à despedida. 
Mais discreto...porem, reservei mesa num sitio escondido. E vou comportar-me como pertence a um cidadão pacato e cumpridor. Mas hoje, brindarei em nome de todos os amigos. Dos + longe e dos + perto. Da família distante e menos distante. De todos os músicos do planeta. E vai ser bom ter alguma paz depois de tanta e tão intensa tempestade. 
Todos somos efémeros, frágeis e perecíveis. Mas por agora...Obrigado aos árbitros da vida por me darem mais este prolongamento. E aos "físicos" também, já agora. Venha mais vida partilhada no tal futuro que não sei. Mas quero muito. 
Estive no fundo mais fundo de mim q se pode estar. A sala ficou vazia; mas vamos enche-la, assim q subir o pano. 
Conto convosco para isso!
LIBIAMO!





20 de outubro de 2016

Gracias a la vida!



"Fiz hoje exactamente à mesmíssima viagem...do costume entre os meus dois planetas de vida. As duas velhas casas, onde vive alma e sopro meu. Vim os 350kms devagar, por Troia, atravessando o Sado, pensando sobre os breves e insondáveis traços da vida e do futuro.
Há q deixar por ora, lá longe, um planeta q se gosta muito, - o meu Barlavento eterno e templário de sonho e maresia; e trocar por outro chão, no Ribatejo, aquele q nos é matriz orgulho e berço. E por estranho q pareça, a cada um onde se chega, - haja coração bastante...- gosta-se sempre. 
Coração derramado e volúvel. Por todas as terras q visitei, todas as bocas q bebi todas as noites iluminadas de intimidade e cometimento. 
Arranhando sempre q possível o sol da vida onde ele irrompe e nos ilumina.
Outono dividido - Mas enfim... Podia la faltar aos cavalos da minha Golegã, em mais um S Martinho!... 
Pois. Mas hoje com passagem por Lisboa, viajava comigo a dúvida. Para afinal receber notícias de Esperança.
Hoje compartilho convosco, ainda discreto e inseguro, mas bem mais aliviado, o sol de boas novidades - de saúde e de futuro. E mais não digo. Ainda há q confirmar. 
Venci uma 1ª etapa muito importante. Ainda falta vencer a montanha. Mas tudo bem encaminhado, ao q parece. 
E neste vai e vem de existir, assim me deslumbro, me repito e me confiro. 
É tao bom viver tanta paisagem, tanto encanto, tanta terra, tanto mar. E tanta memória de dias bons, cheios de amigos, de sonho e emoção. 
Até a angústia de não poder estar em todo o lado ao mesmo tempo, não abraçar todos os amigos; não beber todos os néctares e sabores; não visitar todos os trópicos do mundo… nos fica mais leve e perdoada. Ah deixem-me respirar um pouco.
Aproveito e brindo à vida - q já me deu tanto!... (onde é q eu já ouvi isto?) Joan, Mercedes: cantemos juntos. Gracias a la vida!
HOJE vai por mim. Chiça. Porque mereço. 
https://www.facebook.com/images/emoji.php/v5/f4c/1/16/1f642.png:)"


Pedro Barroso











14 de outubro de 2016

Tão breve esta Eternidade!






"Sinto-me hoje habitar no espaço cinzento da angústia, para lá da incerteza.
Com efeito, o q existe além da esperança é uma espécie de vazio q pretende ser composto de mais esperança, num adiar da vida que nos foge debaixo do chão. E não sabemos nada do futuro. Garantia zero.
Ah como sinto a falta dos palcos; dos meus músicos; das viagens em busca de graal e plutão; e do pão quente pelas madrugadas mil q percorri.
Das esperas e estradas e incertezas. Da busca feliz dos dias de aplausos e apreço. Dos Auditórios cheios, fervilhando de emoção, onde deixei o suor, a alma e o talento. Bataclans por que chorei, no arrepio da memória em q tão poucos por vezes souberam de meus passos. 
Percorro todo esse território de trajectos e afectos; e sim, eu estive lá. 
Podem nunca o ter relatado; mas estive e lembro. A fama sempre foi uma questão de agenda, atribuída por razoes de ocasião e outros variados temperos de interesse e conveniência. Mas eu lembro demais, até. Corri este pais a palmo. E muito, muito, muito mundo, por aí.
Tudo o q tenho agora, precisamente, que cancelar e adiar de mim.
A verdadeira tristeza não tem paradigma certo - invade-nos e pronto.
Parar agora - dizem - vai ser para poder recomeçar de novo, mais forte e recomposto; um dia; talvez adiante e primavero. Quero acreditar.
Não me canso de pensar em tudo isto. Esperança e vida, imploramos por elas sempre mais. Na ilusão fáctua de alguma eventual serenidade.
Uso meu velho professor Vergilio Ferreira para repeti-lo: 
"tão breve esta eternidade." 
Quantas vidas cheias não se fariam com tudo o q esta não usou?
E quantas mais me estarão reservadas, ou não, no vão de escada furtivo q é este brevíssimo acto de viver?
Meço a vida com canções, poemas e momentos de fantasia. Só pelo sonho vale a pena. O resto é muito pouco, imprevisível e fugaz. 
E tem números; q sempre me foi uma realidade concreta de mº difícil entendimento. Sou da poesia, portanto, não existo. Apenas sobrevivo. Sem contracto certo nem retrato duradouro.
Tanta vaidade a sustentar o mundo, para nos convencermos de sermos importantes. Qd afinal, somos apenas um vago pretexto de nós mesmos, com a paisagem de fundo da nossa circunstância.
Resta o desejo, sempre, de ser gente. E merecer essa tal "brevissima eternidade", pelo menos nos afectos q mantivermos vivos.
Até ao regresso de um dia, num pleno sol; adiado, por agora, mas latente. 
O tal q existe muito para lá de nós; e esse sim, - é q é perfeito."

Pedro Barroso





9 de outubro de 2016

A Força do Pedro!



"Que dizer-vos neste espaço publico de absurdas confissões suspensas, vaidades inconfessadas e destino incerto? Escrever na agua... já assim dizia Abelaira. Palavras ao vento, como cantei. Tudo tão factuo e tão surdo. Porquê comunicar os dias cinzentos? Para dizer que este não é um tempo feliz? 
Como um menino cheio de esperança numa prenda q não vem?Sim, devo dizer-vos que sinto a força e a esperança q me dão como energia solar de amizade e cumplicidade surda. Mas isso não me basta ao corpo, nem transmite especial cura magica ou passe de prestidigitação. Está tudo difícil, muito difícil.
Então? Dar o recado velado aos media q nunca me amaram para q me amem, justamente agora, na curva complexa e grave de um destino sem noticia? Ha qqr coisa de egoista na m condição. Quero q me ouçam, renovados e atentos, no tanto q já disse; e isso sim o façam circular; quero q a noticia seja discreta e indolor - já q tudo o mais me pesa e martiriza e, nesse passo, sobrar apenas de mim para mim na minha concha. 
Passarei em breve a ser biónico, quimico enfim, o resto de mim q por artes me impuserem. Sobrarei, se puder; ou não. Afinal somos todos muito pequenos. Respeito e agradeço o interesse de todos. Neles está plasmada uma amizade sincera, ultrapassando o virtual. Mas não me peçam nem relatório diário, nem ironias, nem brilhantismos especiais. 
Não me apetece. Se dentro de 6 meses alguma coisa de positivo conseguir, compartilharei aqui. Que este se converta então num espaço de alivio e alegria. Até lá, apenas vos peço q secretamente ouçam tudo o q fiz numa vida de musica e palavras. E q a arte vença a doença. 
A luta é entre um tal sr António q nem sequer conheço muito bem mas é o meu nome de ficha clínica e o vosso Pedro. Esse sobreviverá sempre, pois emancipou-se há muito pela poesia e pelo sonho. O tal sr António... esse, coitado, anda como os outros pelos corredores e salas de hospital a lutar pela vida. A lutar muito, apoiado no tal Pedro q tanta força lhe transmite..."


Pedro Barroso -  23-Fev-2016



4 de outubro de 2016

Vontade enorme de vencer!



Amigos

Vejo q foram muitas centenas - juntando os vários grupos foram... milhares...- a interrogar-se sobre o q me aconteceu. Por isso mesmo me merecem uma explicação, apesar de querer continuar a manter tudo no foro pessoal, sem alardes nem exageros publicitários descabidos.
Tudo isto é um momento complicado de dor e incerteza. Mas enfim. Após cirurgia de 8 horas no passado dia 1 de Fev no H da Luz, - em q se espera ter limpo ou limitado o máximo possível do mal acumulado, regressei ontem a casa. Agradeço pois, a toda a equipa q de mim cuidou com saber e competência. Estive, como é óbvio, nas suas mãos.
É apenas ainda uma 1ª etapa de um tempo mº difícil contra um adversário temível e q não perdoa. Mas agradeço, sinceramente comovido, a todos os q manifestaram a sua ajuda, solidariedade e interesse.
O futuro não me pertence. Vi-me forçado a desmarcar gravações e concertos pois desconheço o q me reservam os tempos + próximos. 
Para já, a facada foi imensa, e a competência de quem me operou tb parece ser a maior possível; mas nada está ganho. 
Apenas tenho uma vontade enorme de vencer. Creiam q com a vossa amizade, tão massiva e magnificamente expressa, me ajudaram e ajudam muito a ajudar-me. Obrigado por isso. OBRIGADO


Pedro Barroso -  FB de 14-Fev-2016



7 de agosto de 2015

Candidato pelo PDR / Legislativas 2015









" Pois. 
A "bomba caiu". Já era esperado. A política mexe sempre com convicções arreigadas e antigas de todos nós. E cada um é rei da sua consciência e da sua vontade. E julga sempre ter a matriz absoluta da verdade no seu partido, na sua visão, na sua escolha. Nanja eu, amigos. Abro sempre uma porta à dúvida.

Mas asseguro-vos então:  Mesmo sendo um telúrico e crónico não-alinhado, serei sempre um lutador pela Cultura e pela Liberdade. 
A minha matriz vem de Abril. Assumida e eterna. Sempre fui um homem de esquerda; mas sem partido. Não devo historicamente nenhuma explicação sobre isso. Tenho orgulho de o ser e continuarei a sê-lo toda a minha vida. Lutei demasiado pela  Justiça pela Democracia e pela Liberdade para agora me darem ensinamentos súbitos de como e onde caminhar. Tive letras censuradas e discos apreendidos. Aprendi a Liberdade e corri este país de lés a lés com o MFA. Como admitir que essa não seja e continue a ser a minha matriz, o meu berço politico, a minha identidade, a minha razão de viver?!

Esta não é uma "venda" como alguns já disseram, -insultuosa e estupidamente - é uma forma de tentar fazer alguma coisa; e não ficar a ver os mesmos de sempre intoxicarem o país de divida, corrupção e oportunismo. Uma forma que me ofereceram de combater, sem dogmas, para devolver Portugal do lixo actual à sua velha dignidade e auto-estima.
Se algum desvio houver desse pressuposto, garanto que serei o primeiro a acusa-lo. A minha independência assegura-o.

Continuarei igual, livre e interveniente. Mas neste momento, desculpem, acho que há que intervir declaradamente! Há que combater por um novo Abril; como não sou homem de armas, tentarei combater pelo voto. É um caminho, eu acho! Não é perfeito. Não há nunca vias "ideais" nem opções partidárias "perfeitas". Decerto menos ainda em "paraísos opinativos obrigatórios". 

Não desejo fazer da política nem profissão nem profissão de fé. Continuarei a ser um livre-pensador. Talvez por isso, várias forças concorrentes me convidaram... 
Optei por este projecto por não me impor "distanciar-me de mim" para o integrar. Mantendo-me democrata, laico, de esquerda, por Abril e sequioso de um pais melhor, mais sério e menos corrupto. Sem me impor ortodoxias ou dogmas ideológicos impeditivos cujos sempre repudiaria. 

E por me oferecer liderar a lista pelo meu eterno Ribatejo. Quero ser assim representativo e útil à minha região, - como sempre fui...- mas agora num outro registo, mais institucional. Deixo isso ao vosso cuidado. Encarem, se conseguirem, como um voto pessoal; dos tais que ainda não são permitidos. 

Meu abraço a todos os que têm "credos" e opções diferentes, - desde que lutem contra este cansativo e recorrente elenco de cromos já tão cansados, repetidos e de onde mais nada há a esperar. 

Obrigado intenso e caloroso aos que estão comigo nesta luta, que repito, nunca alterará o que sou, como homem livre, pensador e criador. E a todos os que - mesmo não concordando com esta incursão - ainda assim, mantêm a amizade independente das opções pessoais. Como os compreendo e aprecio. 

Pois também eu acredito que as pessoas estão sempre primeiro. Aliás, assim espero... Primeiro, muito primeiro."


Pedro Barroso

Fonte -  Facebook 




3 de junho de 2014

Pedro Barroso


Considerado um dos últimos trovadores de uma geração de coragem que ajudou pela canção a conquistar as liberdades democráticas para Portugal, Pedro Barroso – com o seu timbre de voz inconfundível – continua a constituir-se como uma alternativa sempre diferente nos seus concertos, repletos de emoção e coloquialidade, como se de verdadeiros encontros de amigos se tratasse. Porque «cantar é uma maneira de estar vivo». E continua a cantar os seus grandes temas de sempre – a mulher, o amor, o mar, a natureza, a solidariedade, os tipos humanos, a portugalidade, a reflexão sobre a Vida...
Sobre Pedro Barroso e a sua arte, disse Armando Carvalhêda (autor do programa "Viva a Música"): «...pelos seus olhos de água passam matizes de verde que são a um tempo o grito de vida da lezíria ribatejana e a esperança que na sua poesia musical renasce a cada instante. Escrever sobre o Pedro é sempre frustrante porque vida não rima com talento; e sensibilidade não rima com arte; e esperança não rima com honradez. E no entanto, a vida e a obra de Pedro Barroso são compostas de tudo isto e o muito mais que um universo de palavras nunca esgotaria».


Notável compositor e intérprete, Pedro Barroso é ainda um excelente poeta, indiscutivelmente um dos melhores entre os cantautores portugueses, perfeitamente a par de nomes como Fausto Bordalo Dias ou Sérgio Godinho. Pedro Barroso não pertence à categoria dos autores/cantores em que as palavras funcionam como mero adorno da música: os seus poemas valem por si sós e fazem dele um dos grandes autores/cantores contemporâneos. 
[*]


A diversidade e a qualidade da obra de Pedro Barroso são denominadores comuns e, entre a declamação e o canto de poemas invulgares, não se afigura tarefa simples tal escolha. A cada momento, em cada pormenor, na palavra como no acorde, o autor surpreende e seduz, empolga e emociona, sugere e aponta, reduz ou alarga os horizontes da nossa imaginação.
Ouvi-lo é assumir uma cumplicidade, pois nada nele é neutro ou decorativo. Em cada frase há conteúdo, liminarmente directo ou subtilmente metafórico. [**]




Fontes 
[*]  A nossa Rádio         [**]  Largo dos correios 





30 de abril de 2014

Póvoa de Varzim - 25 Abril 2015


Pedro Barroso atuou no Cine-Teatro Garrett no dia 25 de Abril a convite do Clube de Caçadores da Estela.
O cantor apresentou o espetáculo “Regresso” para uma casa cheia.








































































































16 de abril de 2014

Palavras ao Vento





Gravação - Estúdios Quinta da Voz, no Casal da Raposa, entre Junho e Dezembro de 2013,com o técnico e co-produtor Uriel Pereira e os músicos Susana Castro Santos - Cello, Manuel Rocha- violino, David Coelho- piano, Luis Petisca- guitarra portuguesa, Abel Moura- acordeão e Miguel Carreira- viola e acordeão. 

As trompas foram tocadas pelo Ensemble Ribatejo 



Pedro Barroso - letras, musicas, viola, piano, metalofone e adufe além de produções várias e direcção musical.





PEDRO BARROSO | Palavras ao Vento

Que dizer-vos? Que este é um disco de um velho combatente.
Lutou pela Democracia e pela Liberdade; sempre contra a Ditadura, em tempos de negrume, analfabetismo, perfídia e acidez.
Cantou nos cantos livres e, ainda bem jovem, no velho Zip Zip encontrou fresta por onde abriu a porta das canções, dando conta do seu inconformismo contra a guerra colonial.
Arriscou opinião, e, andando em bando com o Zeca, o Adriano e tantos outros, pertenceu a uma geração de coragem que nos fez descobrir Abril como mês da liberdade, do sonho e da utopia.
É o cantor de um país, todo, percorrido para cá e para lá da sua fronteira. Primeiro, no sobressalto da emoção e descoberta; e depois em toda uma vida de labor e busca da estrada verdadeira.
Foi correndo o mundo. Tornou-se um autor consagrado, respeitado e isento.
A vida e a idade calejaram os actos, a experiencia, as obras e o temperamento. Em dezenas de trabalhos em disco e poesia, derivou a sua busca para a ternura interior, o culto da sensibilidade, a elegância, a importância dos momentos únicos no significado das vidas, a história de um velho Portugal adormecido.
Hoje quarenta e cinco anos depois - e tantos companheiros desaparecidos - não admira que, nele, uma velha e indelével chama ainda resista, fabricando em seu peito novas e indesejadas causas.
O desemprego e a fome; a iliteracia e o nepotismo; o abismo entre pobres e ricos; os abusos do poder e da banca; os insultos vindos do exterior classificando como lixo um país com mil anos de honradez e varonia.
Tudo aborda Pedro Barroso, mais forte e contundente que nunca, regressando à fome de justiça e encanto que sempre o determinaram a nunca desistir.
É um autor pletórico de força e inteligência o que aqui encontramos, num acto maior de maturidade e assomo politico.
Inquieto e inconformado, este eterno enfant terrible, misto de contador de histórias e de trovador sem idade, regressa com estas “Palavras ao vento”. Interveniente como não o víamos há muito tempo, mas nunca perdendo a sensibilidade humana de sempre, a dignidade, o poder de observação.
De facto, ao ouvirmos este disco, sentimos que esses quarenta e tal anos não passaram. O tempo apenas lhe dá mais autoridade e ensinamento.
Resta-nos ouvir o homem que nunca se vendeu, nem venderá, nesta feira de sabores ao gosto, quantas vezes, da efemeridade, das audiências, da cupidez e do mau gosto.
A Editora Ovação tem pois, uma vez mais, a honra de apresentar um produto que, mais que um disco, é um marco na opinião; uma pedrada no presente e no futuro; um acto de Liberdade maior. Esperado pelos seus indefectiveis. Esperado por todos nós.
Pedro Barroso atira-nos estas palavras ao vento.



Gravação - Estúdios Quinta da Voz, no Casal da Raposa, entre Junho e Dezembro de 2013, com o técnico e co-produtor Uriel Peeira  e os músicos Susana Castro Santos - Cello, Manuel Rocha - violino, David Coelho - pianista, Luis Petisca - guitarra portuguesa, Abel Moura - acordeão e Miguel Carreira - viola e acotrdeão.
As trompas foram tocadas pelo Ensemble Ribatejo.

Pedro Barroso - letras, músicas, viola, piano, metalofone e adufe além de produções várias e direcção musical.







15 de abril de 2014

Concerto no Rivoli - Out 2012






Em Dezembro de 1985, Pedro Barroso fora protagonista de um memorável concerto no Rivoli do Porto, onde teve como convidado especial o seu amigo Manuel Freire.
Depois, aconteceu um grande vazio na cidade capital do Norte.
Recentemente, após muitos anos de expectativa, Pedro Barroso voltou à carismática grande sala nortenha de concertos. Foi no serão de 2 de Outubro de 2012.
O espectáculo foi anunciado como uma “memória do futuro“, com a intenção de

 relembrar canções de uma vida e também da vida de companheiros de jornada, alguns já desaparecidos, geração de coragem que ajudou a tecer, pela canção, os bastidores da Liberdade e da Democracia em Portugal. Assim foi prometido para essa noite de emoções à solta…
Esperava-se pois um encontro, anunciado, com aquele (e cito as expectativas divulgadas a propósito) a quem chamam, pelo estilo, pela poesia, pela diferença, o último trovador português.
Pedro Barroso, ele próprio, contribuiu para a antecipada criação desse clima. Na sua página de facebook escrevera:
Seremos quase mil cantando pela Liberdade, em nome da memória e do futuro.
Dia 2 quero fazer do palco uma pátria diferente. Que pelo mundo do sonho se distinga, voe e saiba diferir do cinzento dos dias tristes. Quero que comigo sejam conjurados de um outro sentir, outro saber; o sitio onde o Douro encontra o Tejo e juntos arrasam todos os medíocres que nos controlam o prazer e a alegria. Como detesto esta gente pintada de séria e corrupta até à raiz dos cabelos. Como me bastei de misérias impostas e roubos declarados. Estarei como um povo inteiro, na rua; só que isso será na rua livre de um palco, entre canções.
Mas o meu discurso, embora poético, apela a tudo o que de positivo é possível fazer e rejeita a submissão dos dias ao jugo germânico da esmola como moeda de exigência. Temos mil anos de história. Que raio! Não podemos temer o futuro. Só há que saber dizer isto bem alto, sem medo de amanhã. Porque o futuro só meterá medo precisamente se não o dissermos. Quero que todos no fim do Concerto sintam e digam: valeu a pena.
E que sintam que é possível mudar as coisas porque viver tem de ser mais que isto a que nos estão a obrigar. E a memória que vos trago traz um futuro iminente de acontecer. Que todos saiamos do Rivoli de portas abertas e vontade expressa.
Conto convosco. É tempo de agir.
Em relação ao 2 de Outubro no Porto, acho sinceramente que a publicidade entre amigos é a que mais desejo e a que mais resulta. Quero ter a casa cheia de amigos cúmplices e solidários, bem precisamos todos dessa alma colectiva!
Escolhi deliberadamente um Domingo para inserir este texto, o antepenúltimo da série dedicada a Pedro Barroso. É que vos proponho a audição integral do Concerto (deixem-me escrever com maiúscula!) do Rivoli. São duas horas de encanto e provocação e é preciso tempo para isso. Nos Domingos costuma haver tal disponibilidade…

Vale a pena ver e ouvir o que aconteceu. A bela reportagem de Porto Canal mostra, por dentro, pormenores desse serão. Duas horas. Liguem o som, ampliem a imagem, deixem apenas uma luz de presença e tornem-se cúmplices do encantamento feito canção, em qualidade do mais alto nível.
Artística e humana.






14 de abril de 2014

Memória do Futuro




“Subir a um palco é uma experiência que na infância enche-nos de surpresa e encanto, na juventude enche-nos de vaidade; e que, com o andar dos tempos e o amadurecer do tempo e de nós próprios, nos enche de dúvidas e emoção.
Ao fim de mais de quarenta anos a reunir musica e palavras, calculam fácilmente o mundo de memórias repartidas, o número de peripécias sentidas e o profundo acervo de experiências humanas acumuladas.
Corri um país real e fantástico, nos perfumes e sabores, nas paisagens e gentes, nos abraços recebidos e nas histórias de uma humanidade convivida.

Foi um mundo profundamente português, embora derramado por vezes, por países de lonjura e extravagância. Onde representei, pobre de mim, o alento de uma saudade trazida na viola, uma referência da pátria mãe deixada há tanto tempo, um relembrar de sons e palavras em concertos que nunca poderei esquecer. Esses, existem hoje apenas na minha memória dos que lá estiveram comigo. E é pena. Porque  muitas vezes foram noites de maravilha.

Depois comecei a compreender que por cada mil que ali estavam comigo, numa qualquer dessas noites, haveria decerto muitos mil que gostavam de ter estado e não puderam. De facto, nunca em todo este tempo, tinha gravado grande testemunho dessas noites fascinantes e prenhes de emoções. E era injusto.
Apontamentos aqui e ali, programas como convidado, actuações maiores ou mais curtas, reportagens, muito bem, mas raramente um testemunho assim ao vivo, do que se diz e se sente num Concerto maior, actual, com gente dentro.
Gente que gosta de nós e nos retribuiu o suor e a entrega. Como aqui, desta vez, foi possível.
Com efeito, nunca tal me tinha preocupado sobremaneira. Mas com o passar da idade - e a responsabilidade que advém de sabermos quanto somos breves e efémeros nestas coisas da arte e do viver - creio que este Rivoli pleno de gente mereceu a distinção e fica assim para a história de um sentir e de um pulsar colectivo, que representa de facto, uma "Memória para o futuro" .

Agradeço ao Porto Canal pela iniciativa de filmar o Concerto, à RDP, que o gravou e à Ovação por ter entendido, julgo eu, o testemunho intemporal que representa.
A todos os músicos envolvidos, ao público atento e amigo que tornou  essa noite especial. E a todos os que gostam, entendem e saboreiam o que faço, contra a corrente do que se consome e pandemicamente se alastrou pelo mundo da música e não só.

Eis a prova provada de que afinal existo. Para consumo apaixonado de viveres próprios e alheios. Truculências demais, talvez,  mas emoção em estado puro, exactamente tal e qual como vo-la gosto de oferecer. É que, desta vez, extravasou da noite bonita que vivemos.
Aqui deixo, pois, um abraço imenso a todos os que possa estar a esquecer e que de algum modo tenham ajudado a tornar esta edição possível.”












11 de abril de 2014

Cantos da Paixão e da Revolta






A música de Pedro Barroso é transversal e atravessa idades e gerações, sempre plena de significados e sensibilidade.

É um autor histórico de uma geração de coragem que lutou, ainda na clandestinidade, a vida académica e através da sua arte, derramada em tantos palcos clandestinos e sessões de baladas, ainda antes do 25 de Abril. Foi esse grupo de gente, artistas muitas vezes esquecidos, jovens universitários dos anos sessenta e setenta - baladeiros lhes chamavam - que muito contribuiu, pela canção, para nos devolver os valores imensos da Democracia e a Liberdade. Com um longo e criativo percurso de mais de quatro décadas, desde a sua estreia no célebre programa zip zip, em 1969, Pedro Barroso é, hoje por hoje, um dos últimos sobreviventes dessa geração da resistência, facto que leva muitos a considerá-lo, pelo estilo criativo, qualidade poética e dizer inconfundível como o último trovador.

Faz canções como já não se usa fazer. São actos de sentir e de pensar, momentos de intensidade e subtileza. Carregadas de palavras cúmplices e memorias de sempre. E, curiosamente, neste disco histórico prenuncia, simultaneamente, o seu retiro; mas também, de novo, a sua revolta. Vê-se que o presente momento do País e do Mundo lhe recorda a mesma amargura dos velhos tempos e das velhas razões, e a disponibilidade eterna para as causas da Justiça e da Liberdade.

A sua sensibilidade, disfarçada por um porte imenso, um desprendimento e uma atitude de retiro e uma quase apaixonada defesa dos valores fundamentais da intimidade, da poesia e da simplicidade de existência, levam-no a viver, por norma, afastado dos centros de exibição e glória imediata, onde é notório que não se revê, nem participa. O seu espaço é a sua imensa capacidade criativa; a sua cumplicidade com a paixão intensa e a revolta latente sempre. O que ressalta de uma análise do Mundo ora envolvente de ternura e intimidade, ora exigente de direitos e justiça.

Ao escuta-lo sentimos nele o lutador que não desiste e estes cantos da paixão e da revolta são exactamente uma espécie de contabilidade dos itinerários percorridos e de todos os que ainda haja por percorrer. "